4 razões para amar o Carnaval aos 22 anos

Qual Natal, qual Verão: para mim, a melhor época do ano é o Carnaval. Não há nada que me deixe mais feliz do que sair à rua e ver adultos a quererem ser super jovens e divertidos enquanto ouvem música brasileira. Parece que estou num programa de rádio às 7 da manhã, só que com máscaras e serpentinas.

E o que dizer das crianças? Bastante traquinas… a usar fantasias marotas… e sempre prontas a desafiar a autoridade com balões de água. Enfim, esta época é literalmente o sonho molhado de qualquer pedófilo.

Aqui ficam 5 razões pelas quais eu amo o Carnaval aos 22 anos de idade, muito mais do que amei quando era puto.

1. Matrafonas

Ando o ano inteiro a reprimir-me sexualmente para chegar ao Carnaval e soltar a franga. Meto um rímel nos olhos, coloco uma peruca na cabeça, calço uns saltos de 15cm e, mantendo a minha barba de um mês, lá vou eu deambular pelas ruas de Sesimbra, Torres Vedras ou Ovar para conviver com os seres da minha espécie. E se se perguntam porque é que não coloco dois balões no peito a fingir que são mamas, a resposta é simples: eu sou gordo. Não necessito dessas coisas para sobressair, pelo que tenho as minhas mais valias.

Se pensarmos bem, as Matrafonas só existem em Portugal – portanto, é uma tradição bastante nossa. E, como se sabe, as tradições são como as touradas: são para manter mesmo que inflijam dor no animal. Quem é que disse que andar de saltos altos era fácil? 

2. Gajas em trajes menores

Adoro aquelas gatinhas de 96 quilos que pensam que estão no Sambódromo do Rio de Janeiro mas que, na realidade, estão apenas numa avenida qualquer da Mealhada. Para além de terem um corpo fenomenal como as brasileiras, e de saberem dançar samba (essa dança tão tipicamente portuguesa) não conseguem, em tempo algum, ter frio.

Reparem, elas não estão a desfrutar do maravilhoso Verão no Marquês de Sapucaí; estão a tentar sobreviver, em pleno Inverno, na Avenida 5 de Outubro (em Torres Vedras). Gabo-lhes a coragem e a determinação.

3. Reis e Rainhas

A Romana, o João Baião, o Quimbé, a Maya, o Nuno Eiró, a Luciana Abreu… Tudo nomes que, na minha cabeça, são automaticamente escolhidos para Reis e Rainhas do Carnaval, seja de onde for. Na verdade, não faço a mínima ideia se estas pessoas são convidadas para participar neste tipo de eventos, mas acredito piamente que sim.

Ser convidado para algo desta envergadura é sinónimo de status. Como diz o Guilherme Fonseca – conhecido humorista e apresentador do Curto Circuito – “não interessa os likes, as audiências ou as capas de revista. Uma pessoa só é famosa quando é convidada para ser rei/rainha de Carnaval”.

A esfera do jet set pela-se por estes 15 minutos de fama junto da plebe, não só porque recebem dinheiro fácil – que é uma espécie de presença na discoteca, mas ao som de pimbalhadas – como também vai ser o mais próximo que vão estar da Nobreza. Sim, mesmo que seja a andar em carros alegóricos e a serem bajulados por senhoras de desdentadas que ligam para os 760 desta vida. Precisamente.

4. Podemos usar palavras bastante bonitas, como “folia”

Se existisse uma eleição para a palavra mais bonita do dicionário dar lingua portuguesa, essa palavra seria folia. Fo-li-a. Porquê? Porque não só fica no ouvido, sendo uma expressão harmoniosa, como também significa “festa alegre e ruidosa”. E o que eu adoro festas alegres e ruidosas, senhores. Nem têm noção. Para mim, esta palavra não devia de cair em desuso durante o ano. Acho que Portugal teria a ganhar se continuasse a utilizar termos muito pouco azeiteiros para caracterizar diversão. Do tipo:

– “Então puto, vamos sair hoje? É sexta-feira à noite, caralho! Temos que partir chão no MAIN.”
– “Siga mano! Vai ser uma folia!”
– “És mesmo um folião, tu. Eheh”


EXTRA: Podemos ter um pretexto para ficar bêbados com os nossos amigos

Okay, esta é a única cena que realmente não é irónica. E nesse sentido, para mim, é Carnaval praticamente todos os fins-de-semana.

Boas festas para hoje, party animals. Espero que se divirtam neste dia de Entrudo, o último desta época.

(Na verdade quero que morram empalados por um carrinho alegórico conduzido por uma matrafona de meia idade ao som de Lepo Lepo, mas pronto, também serve.)

Written by O Adiantado Mental