No meu tempo é que era bom!

“Mil estudantes portugueses do Ensino Secundário foram expulsos de uma unidade hoteleira em Benalmádena, no Sul de Espanha, por desacatos e mau comportamento. Alegadamente, estes gajos e gajas mandaram colchões para a piscina, meteram uma TV na banheira e esvaziaram extintores no meio corredores do hotel. Ridículos!

Isto no meu tempo não era assim. Havia respeitinho, que era muito bonito.

Eram outras mentalidades… Exceptuando quando alguém bebia álcool em demasia, claro. Mas nos anos 80 e 90 a cerveja não batia tanto, não sei se têm essa noção. E ainda nem existiam aqueles baldes de gin que hoje se vêem. A nossa cena era mais injectar droga no corpo com seringas, coisa que uns anos mais tarde percebemos que era estupidez, ou cheirar coca, coisa que uns anos mais tarde percebemos que era estupidez.

Também éramos jovens, porra! Não digo que não tenhamos feito asneiras, agora, destruir quartos de hotel assim sem mais nem menos? Não. Tinha que existir um propósito, e estes jovens sabem lá o que custa a vida. Nem sabem a sorte que têm. Na minha altura, um shot dava para oito!

Se os nossos pais eram grunhos que batiam nas nossas mães sempre que o Benfica perdia, imaginem o que nos faziam se ousássemos fazer merda fora de casa… Pois.

E por exemplo, na Idade Média, como se sabe, as viagens de finalistas eram muito mais calmas também. Tirando uma morte ou outra que se fazia, às vezes até por praxe, era tudo tranquilo. Pá, eles gostavam de queimar pessoas em fogueiras, pronto, mas também tinham a sua razão! Não podemos julgar. Digam-me lá se não faziam o mesmo aos cromos que não eram capazes de beber cinco cálices de vinho tinto seguidos? Era a cena deles.

Daqui a 20 anos, isto só tem tendência para piorar. Agora com a merda do YouTube, os adolescentes imberbes querem imitar as suas estrelas e fazer desafios parvos, até porque isso nunca aconteceu com as estrelas de rock nem nada. Nunca ninguém imitou os hábitos de consumo de um Mick Jagger, de um Iggy Pop, ou de um Kurt Cobain.

Actualmente, os putos vivem todos à base dos likes e da quantidade de seguidores que têm no Instagram, mas essa demanda por aceitação social nunca aconteceu em gerações anteriores. Pedir dinheiro aos pais para ter umas calças Levis? Jamais. Ninguém quis ser rebelde.

Na minha geração, tudo era substancialmente melhor. A roupa, o comportamento, a música, a vida. E juro que não digo isto por nostalgia. Claro que não. É só mesmo por inveja.
Inveja de poder fazer merda sem pensar nas consequências; inveja de ter tesão até do vento (como se o mundo fosse acabar amanhã); inveja de não ser um adulto cinzento e formatado sem a liberdade e parvoíce inerente a uma época marcante.

Inveja de querer ser adolescente outra vez.”

– Alberto, 45 anos, contabilista

Written by O Adiantado Mental