Partilhar casa com amigos? A vida não é uma temporada de How I Met Your Mother

Estou naquela fase da vida em que já quero sair de casa dos meus pais para ir viver sozinho, sabem? Quero dizer, sozinho-sozinho também não seria o caso. No máximo, queria sair de casa para ir viver com os amigos ou com a namorada – mas tendo em conta que a segunda opção não existe no momento em que vos escrevo, acho que teria que optar pela primeira.

Por um lado, já ando a ganhar guito suficiente para me sustentar, o que é fixe. Por outro, ainda há aquele conforto infantil de viver com os pais.

Tenho a cama lavada, mas não a posso partilhar livremente com uma rapariga com quem tive um date, a menos que tenha a casa livre nesse dia (estou a brincar, mãe, isso nunca aconteceu…)
Tenho comida na mesa, mas ai de mim se como junk food todas as noites.
Tenho internet, mas sou maluco se quiser fazer uma maratona de Narcos até às seis da manhã, porque no dia seguinte tenho almoço de família.
Tenho liberdade para sair e entrar em casa quando quiser, mas chegar às 10:00 da manhã depois de uma noitada e de um after na casa do Nelson? Não enquanto viver naquele tecto.

Isto parece bué first world problems de um puto de 22 anos, e sei que estou a exagerar (porque o exagero é um recurso utilizado no humor, haters), até porque os meus pais são bastante liberais, mas ter independência total é simultaneamente assustador e fascinante.

O Friends e o How I Met Your Mother dizem-nos que viver com amigos é absolutamente épico. A vida passa a ser só jantares, álcool, saídas à noite, sexo!, diversão. Nunca há confusão entre ninguém, nunca há problemas com amigos, porque lá está, são amigos, e entre amigos não há nada dessas coisas, certo? Bullshit.

Ah, mas como é que tu sabes isso se nunca viveste com ninguém a não ser os teus pais?”, perguntam vocês.

Ora, eu nunca vivi com amigos, mas já passei várias férias com alguns deles (Verão e Passagem de Ano incluídas). E sei, por experiência, a responsabilidade que isso acarreta.

Se eu vivesse com amigos, eventualmente, iria chatear-me com eles por causa de um iogurte. Ou porque um deles não lavou a loiça que lhe competia e preferiu estar a dar likes a gajas no Instagram, ou porque outro deixou o tampo da sanita aberto e foi jogar PlayStation, ou porque outro quis ouvir kizomba enquanto que eu quis ouvir rap… E isso é triste. Definitivamente, a vida teria outra cor se fosse como nas séries. Mas não tem. E não há nada de errado em relação a isso!

Portanto, mal por mal, prefiro continuar a discutir com os meus progenitores.

Até querer dar o salto final para o mundo dos adultos, vou ouvindo as míticas frases “Não é já vou, é vou já”, “Isto são horas?” e “Ai de ti que eu chegue aí e encontre isso”.

Sem pressas.

Written by O Adiantado Mental