Sim, admito: odeio andar de avião

Considero-me uma pessoa informada e que privilegia, à semelhanca do que acontece com os Millennials, experiências em detrimento de bens materiais. Por isso mesmo, gosto de pensar que parte do dinheiro que ganho vai para experiências. Mas, com 22 anos no lombo, ainda há algo que me assusta: andar de avião.

Por um lado, adoro viajar e conhecer coisas novas. Acho que é algo transversal a todos jovens que, felizmente, têm possibilidades para conhecer o mundo, fruto da globalização e da democratização que vivemos. Viajar já não é assim tão caro e existem vários tipos de viagem associados a vários tipos de carteiras.

Contudo, o problema centra-se no facto de andar de avião. Com o acto em si.

Temos que admitir isto: o ser humano é burro mas sempre tentou fintar as suas próprias limitações. Como tal, inventou vários meios de transporte para poupar tempo e chegar convenientemente do ponto A ao ponto B. Até aqui tudo bem.

Um dia, porém, o ser humano lembrou-se de inventar o avião. Que é o único meio de transporte para o qual não temos forma de escapar porque NÓS NÃO SABEMOS VOAR, CARALHO.

Enquanto que num acidente de barco, em teoria, conseguimos escapar nadando, num acidente de avião tal já não é possível. Se o avião cai, fodeu geral. E é precisamente por isso que os meus níveis de ansiedade aumentam numa viagem de avião, nem que seja num simples trajecto de duas horas.

E sim, já sei o que vão dizer: estatisticamente, as pessoas morrem mais em acidentes de carro do que em acidentes de avião. Mas eu também consigo provar estatisticamente que uma secretária acumula mais bactérias do que um bidê, e não é por isso que vou almoçar numa peça da Sanitana.

Provavelmente, esta pseudo-fobia vai passar com a experiência. Até agora, o saldo é positivo: acho que já andei 10 vezes de avião e, entre idas e voltas,  nunca tive grandes problemas, excepto na última viagem fiz, onde julguei que fosse patinar.

Antes de descolar da Suíça, na passada Segunda-Feira, o piloto informou os passageiros de que haviam problemas no tráfego aéreo francês. Alguns controladores aéreos estavam em greve, ou lá o que era, e isso automaticamente despertou o meu alarme de perigo. Passei a analisar as micro expressões da tripulação na ânsia de encontrar qualquer coisa de errado (não encontrei), como faço sempre num voo, e tirando a turbulência habitual, foi tranquilo.

Aliás, eu assim que piso aquelas escadas de metal que estão acopladas ao avião torno-me na Marine Le Pen do Barreiro: passo a julgar todos os passageiros pelo seu tom de pele, barba e orientações religiosas. Julgo, sobretudo, quem consegue dormir num avião com uma atitude de Zero Fucks Given. Para mim, são psicopatas que não merecem viver. Dormir tranquilamente a várias milhas de altitude? No way.

E qual é o maior contra-senso disto tudo? Tenho o sonho de fazer skydiving. Sim, enfiar-me num bocado de metal voador, colocar um pára-quedas às costas e fazer-me à atmosfera. Um dia, sei que irá acontecer.

Por agora, continuo a achar que andar de avião para viajar é como limpar o rabo a um velho: inevitável para te tornar numa pessoa mais nobre, mas dispensável se só quiseres o resultado final.

E é com esta piada de merda que me despeço. Até a uma próxima.

Written by O Adiantado Mental