Só morre de sarampo quem acredita em toda a merda que está no Facebook

Numa altura em que as universidades estão a censurar livros por estes ferirem susceptibilidades, e em que o politicamente correcto toma porporções nunca antes vistas, faz todo o sentido que as pessoas morram de sarampo. Se é para viver na Idade Média, que o façamos a fundo e com brio.

A rapariga de 17 anos que estava internada no Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, acabou por não resistir ao sarampo e morreu hoje. E guess what? Não estava vacinada. Aparentemente, a mãe era – será que ainda continua a ser? – adepta da medicina alternativa e da homeopatia, pelo que decidiu cagar nos conselhos dos médicos e reger-se por estudos que, muito provavelmente, leu na internet. Na verdade, acredito que tentava fazer o melhor para a sua filha, embora “o melhor” seja, neste caso, pouco consensual.

Em 2015, a Organização Mundial de Saúde emitiu um comunicado declarando que o sarampo estava erradicado de Portugal, muito por culpa do Plano Nacional de Vacinação, que tornou a vacina tríplice acessível a todos. Em 2017, existem 21 casos confirmados desta doença.

Dizem que este surto de sarampo começou depois de um cirurgião ter publicado um estudo que, alegadamente, demonstrava uma relação de causa-efeito entre a vacina e o autismo. Estudo esse que veio a provar-se, mais tarde, FRAUDULENTO. Escrito sem qualquer base científica.

Ou seja, neste momento o mundo está com milhares (talvez milhões) de pessoas que acreditam num estudo de merda. Isto é sintomático de que a desinformação é a principal causa de morte da actualidade. Desinformação e estupidez. E é isso que me revolta: o facto das pessoas estarem cada vez mais desinformadas, mais apáticas e desprovidas de sentido crítico.

Mas pronto, antes um filho doente do que um filho que gosta de Anime, não é?

Não é natural, nem tão pouco aceitável, que hoje em dia existam pessoas a morrer com uma doença que era popular na mesma época que o Astrolábio.

Todos somos livres de acreditar no que quisermos, todos temos liberdade de expressão para defender as causas que pretendemos, mas que não sejamos toldados pelo obscurantismo. Sendo um crime público maior do que vestir crianças com jardineiras e cabelo à tigela, a não-vacinação por opção é estúpida e perigosa, uma vez que interfere com a saúde de todos que as rodeiam, mesmo aqueles que já estejam vacinados (caso não saibam do que falo, leiam isto).

A minha teoria é de que isto, em pequena escala, só acontece pelo brainwash a que somos sujeitos diariamente nas redes sociais. Informamos-nos com factos alternativos, caímos em demasiados títulos de clickbait e aplaudimos estudos que concluem coisas parvas, como “Quem tem o rabo maior é mais inteligente” ou “Quem não mete café no açúcar é psicopata”.

Não sou apologista das grandes corporações farmacêuticas que ganham rios de dinheiro com a nossa desgraça, mas sou apologista do progresso, da ciência e do bom-senso.

Tenho alguma pena de que o nosso conhecimento (e informação) seja agora regido por leads e thumbnails, mas é o mundo que temos.

Um dia faço um estudo sobre isso.

Written by O Adiantado Mental