5 razões para se ser contra a eutanásia

Muito se tem discutido, e bem, sobre a despenalização da eutanásia em Portugal. No dia 29 de Maio, no Parlamento, discutiram-se os projectos para a alteração da lei. Ganhou o “Não”. E é precisamente por isso que quero falar do assunto.

Ora, eu sou veementemente contra a eutanásia. Desde quando é que os cidadãos passaram a decidir o que é melhor para a vida deles? Mas enlouquecemos ou quê?

É assim, meus amigos, o Estado manda em tudo. O Estado decide o tipo de impostos que tens de pagar, decide se te dá mais ou menos regalias consoante o número de filhos que tens, portanto parece-me óbvio que decida também quando é que NÃO É a altura certa para faleceres.

Então mas agora vamos provocar a morte de forma indolor a doentes que estão em profundo sofrimento por terem uma doença grave, incurável e sem expectável esperança de melhoria clínica?

Enquanto sociedade não podemos compactuar com um doente em estado terminal que manifeste um pedido consciente, sério, livre e pessoal para bater as botas.

E agora vocês, iluminados liberais e de Esquerda, perguntam: “ah, mas tens argumentos para sustentar isso que estás a dizer?” Tenho sim, e vou apresentá-los agora.

5. A eutanásia envolve muita burocracia

Pá, Portugal é o país da papelada. Entre o dia em que tu percebes que tens uma doença incurável e que te vai levar à decadência, até ao dia em que te dizem “Olhe, senhor Abílio, estivemos aqui a analisar o seu caso e realmente você está, como é habitual dizer-se na gíria, todo fodido. Pode efectivamente usufruir da eutanásia”, provavelmente passam-se anos. Anos! Logo, este pedido acaba por ser irrelevante.

Olhe, agradeço a preocupação, mas sendo assim talvez faleça quando o meu corpo biologicamente pedir. Assim ninguém se chateia, e também não deve faltar muito”.

É que se é para meter os papéis para a eutanásia, não têm que existir filas de espera. Para filas de espera já existem outros problemas no Serviço Nacional de Saúde.

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4. A eutanásia vai contra os princípios religiosos

Aqui estou com o Dr. Cavaco Silva e com a Dra. Assunção Cristas, duas pessoas que claramente são a favor do direito à vida com dignidade, excepto quando falamos de animais em touradas.

Só uma entidade invisível, ancestral e omnipresente é que pode decidir sobre a vida ou a morte de alguém. Se as pessoas a favor da eutanásia querem brincar aos Deuses, vão jogar SIMS. Podem afogar um bebé na piscina, podem vender o vosso cão para comprar um aparador para a sala, podem fazer tudo.

O livre-arbítrio é muito bonito, menos quando implica que o Estado perca rapidamente contribuintes para pagar impostos. Já nos basta a legalização do aborto.

3. A eutanásia abre um precedente para os médicos e enfermeiros

Quer dizer, os enfermeiros já ousam calçar crocs para desempenharem as suas funções, e agora ainda querem, de forma altruísta, ajudar a matar os pacientes mais debilitados? Por favor! Eles e os médicos que continuem a prescrever drogas que não melhoram a qualidade de vida de ninguém, e a escrever à mão pessimamente.

Volto a dizer, se querem brincar aos Deuses, vão jogar SIMS, caralho. Ou isso, ou vejam séries tipo Dexter.

2. A eutanásia banaliza a morte

A morte é algo que não é banal nem transversal a todos os seres vivos. Desse modo, tem que ser respeitada porque também não aparece assim para toda a gente. É como um cromo muito raro da Panini.

Banais são as t-shirts da Levi’s que os adolescentes utilizam agora. A morte, não. A morte é uma inevitabilidade que só acontece aos outros. Em dias de chuva, quando há mais acidentes na estrada…

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1. A eutanásia mata

Lamento dizer-vos isto, mas é verdade. A eutanásia mata, assim como os carbohidratos engordam se forem consumidos à noite. Sei que é chocante, mas há que ser frontal e honesto acima de tudo.

E quem é que quer mesmo, mesmo, mesmo esticar o pernil? Ninguém, não é. Existem muitas coisas boas na vida que a morte, quase de certeza, não tem. Netflix, vinho, comida.

Portanto, se me confirmarem cientificamente que falecer é melhor do que aguentar um cancro no cérebro em fase terminal, eu mudo a opinião em relação à eutanásia.

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Conclusões finais

Bom, se chegaste a esta parte do texto e percebeste que estava a utilizar a ironia e o sarcasmo, parabéns: és mesmo o tipo de pessoa que quero ter no meu blog.

Enquanto princípio, sou a favor da eutanásia. Contudo, a vida, como bem sabemos, nem sempre é a preto e branco. Neste assunto existem muitas áreas cinzentas que merecem ser debatidas tanto quanto possível.

Qualquer projecto de lei que se aprove em Portugal relativo à eutanásia tem que ser bastante objectivo, mas geral o suficiente para que o assunto possa ser analisado caso a caso. Assim, não se devem sobrepôr argumentos de índole religiosa, moral e ética às liberdades individuais de cada ser humano.

O assunto pode ser encerrado com esta frase de Ramón Sampedro, um antigo marinheiro que estava preso a uma cama desde os 25 anos, depois de um mergulho no mar o ter deixado tetraplégico.

“O direito de nascer parte de uma verdade: o direito de prazer. O direito de morrer parte de outra verdade: o desejo de não sofrer. A razão ética põe o bem ou o mal em cada um dos actos. Um filho concebido contra a vontade de uma mulher é crime. Uma morte contra a vontade de uma pessoa também. Mas um filho desejado e concebido por amor é, obviamente, um bem. Uma morte desejada de uma dor irremediável também. Considero que viver é um direito, não uma obrigação”.

Escrito por O Adiantado Mental