A vida de Tupac dava (e deu) um filme

Anteontem, através do site Noite e Música, foi-me dada a oportunidade de ir ao cinema assistir à ante-estreia de All Eyez On Me. O filme, que basicamente descreve a vida do rapper Tupac Shakur, não tem tido críticas excepcionais – inclusive, o rapper 50 Cent proferiu duras palavras à narrativa, apelidando-a de lixo.

No entanto, o certo é que a sala estava cheia para assistir à história de um dos melhores artistas que o Hip Hop já conheceu.

Aliás, como é evidente, muitos MCs portugueses foram ver o filme, incluindo Slow J. Ora – e fazendo um pequeno aparte – eu curto do trabalho daquele gajo. Quando o vi, parecia uma pita histérica, e ainda pensei em registar o momento com uma fotografia. Mas não quis ser groupie e assumi a postura pedante de “Pá, tudo bem que ele é um dos melhores MCs da nova escola do Hip Hop tuga, mas não sejas parolo, caralho”.

Portanto, João, se estiveres a ler isto – ya, como se o Slow J conhecesse este blog – you are the man, man!

Bom, mas partindo para a minha review: achei a obra interessante, até. Talvez um pouco extensa, talvez um pouco vazia de conteúdo (por vezes) , sim, mas no geral não necessariamente má.

Sai do cinema do Colombo a pensar no que já sabia: Tupac foi um gajo a quem a vida nem sempre sorriu, mas que era dotado de uma mente brilhante e que deu voz a uma geração. Os seus versos ainda hoje ecoam nos ouvidos de quem o escuta, e olhem que ainda é muita gente, o que prova que Shakur deixou um legado incrível na história da música e do Hip Hop em particular.

Tupac foi – devido à sua importância para a comunidade afro-americana, por exemplo – o que Kendrick Lamar será daqui a uns anos, disso não tenho dúvidas. Aliás: o trono de Melhor Rapper Vivo pertence ao K. Dot, portanto o que eu estou a dizer está totalmente comprovado. Se não acreditam, aconselho-vos esta leitura.

O actor principal de All Eyez On Me (Demetrius Shipp Jr) faz um papel competente enquanto 2Pac, mas a narrativa consegue ser, às páginas tantas, desengonçada e enfadonha.

O realizador mostrou a parte negativa da vida de Makaveli (o álcool, as mulheres, as drogas, o crime organizado) , mas apesar disso ser importante para o desenrolar da obra, desconhecemos efectivamente como é surgiu a paixão pelo rap. À história faltam elementos fundamentais, como a importância de Shakur para a comunidade e o real peso político dos seus versos.

De resto, a única coisa que tenho a apontar é o facto das outras personagens – a irmã de Shakur, a Jada Pinket, o Notorious B.I.G, o resto da malta da Death Row Records, etc. – não se terem desenvolvido devidamente, pelo que isso poderia ser interessante na medida em que seria um alicerce para o filme.
E depois, o final que todos nós já esperávamos… Não é assim tão dramático quanto o filme quer fazer parecer. Esperava outra coisa, mas honestamente não sei bem o quê.

No fundo, a nível de edição, o filme está razoável; a nível de banda sonora, também (uma vez que consegue mostrar quase todos os hits principais do rapper); mas o principal problema é mesmo o argumento, tão confuso e, de vez em quando, chato.

Who shot ya?

A morte de Tupac ainda está envolta em mistério. Há quem diga, aliás, que o rapper fingiu o seu próprio falecimento, há quem diga que foi o FBI que matou o rapper, e outros referem que Biggie Smalls (que também morreu 6 meses depois) teve culpas no cartório, devido à rivalidade East Side/West Side (que no filme não está feita de forma totalmente clara, na minha opinião). Big Suge (o gajo que conduzia o carro onde Makaveli ia naquela noite fatídica) também não diz o que sabe, e os fãs provavelmente nunca saberão quem matou Pac… Ou se ele está mesmo morto.

Se querem um conselho, e se forem grandes fãs do rapper, não gastem dinheiro com este filme. E o facto de estar a apelar a isto prova que definitivamente não me pagaram para fazer uma review.

Em alternativa, esperem antes que saia no Netflix, ou armem-se em piratas da net. Também poderão ver este documentário, que me parece muito mais interessante, e que irei ver brevemente.

All Eyez on Me não é péssimo, é aceitável, mas Tupac Shakur merecia muito mais.

E não se esqueçam: VIVA A THUG LIFE CRL.

Written by O Adiantado Mental