Vocês precisam mesmo de conhecer Master of None

Apesar de já ter tropeçado várias vezes por Aziz Ansari na internet, a verdade é que nunca tinha visto nada dele em profundidade. Parecia-me um comediante competente, daqueles que estão a surgir em força no panorama Norte-americano, and that was it.

Tirando o seu livro Modern Romance, não havia nada na sua carreira que me suscitasse particular interesse, nem o Parks & Recreation.

Até que me recomendaram Master of None, a série onde é protagonista e autor.

Deixemos-nos de merdas: a série não tem a pretensão de ser super mainstream. Não aspira a ser o próximo F.R.I.E.N.D.S nem o próximo How I Met Your Mother, mas a verdade é que a premissa é semelhante.

Curiosamente, a segunda temporada (que estreou há duas semanas no Netflix) coincidiu com a altura em que comecei a acompanhar a série, e portanto escrever este texto fez todo o sentido.

Dev (Aziz Ansari) é, à semelhança de todos nós, um jovem cheio de projectos que está a tentar seguir o American Dream na cidade onde ele surgiu pela primeira vez: Nova York. Descendente de indianos, o protagonista enfrenta os problemas comuns de um late-Millennial: as relações, o romance moderno que começa nas redes sociais, os amores falhados, as saídas à noite, as aspirações inusitadas, as amizades de sempre, os problemas com os pais ou com o mercado de trabalho. Todos estes são temas abordados na série que, embora tenha um fundo cómico, não pretende, parece-me a mim, ser uma série de comédia. 

O seu grupo de amigos – composto por Denise (Lena Waithe), Arnold (Eric Wareheim) e Brian (Kelvin Yu) – é tudo menos ocidental. Temos um asiático bem parecido, uma afro-americana lésbica e um gordo caucasiano engraçado e engatatão, o que prova que esta série também aborda (inconscientemente) temas como a a orientação sexual e a identidade. Não podemos, por isso, acusar os produtores de Master of None de serem racistas ou de não apostarem na diversidade (algo que aconteceu, por exemplo, com a série Seinfeld nos Anos 90).

E se a primeira temporada me surpreendeu pela positiva, a segunda deixou-me no chão, sendo altamente relacionável com as coisas pelas quais estou a passar. A forma como a narrativa está construída prova que a Netflix está a apostar em conteúdos cada vez mais cinematográficos. Existem dois ou três episódios onde o enredo não avança mas onde toda a trama é abrilhantada com situações que dão densidade às personagens, ou com situações que servem apenas como um exercício de criatividade. Porquê? Porque eles podem.

A fotografia da série é brilhante, a música não se fica atrás e o argumento está todo ele bastante coeso, com algumas piadas pelo meio que servem de comic relief.

Mas nem tudo são coisas boas. Não querendo ser spoiler, esperava que algumas personagens seguissem outro rumo nesta segunda temporada, nomeadamente Rachel (Noël Wells) e Francesca (Alessandra Mastronardi).

Essa é, contudo, a essência de Master of None: troca-nos as voltas do nada e dá-nos vários murros no estômago de uma forma particularmente diferente daquela a que estamos habituados.

É a busca incessante da felicidade em formato de série. É uma ode ao que é ser um jovem adulto no século XXI. Ah, e é uma série que também fala de massa fresca. Muita, muita massa fresca.

Não tenho grande coisa a acrescentar. Vejam e sejam felizes.

Written by O Adiantado Mental